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Título:
Litltest Pet Shop
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Editor:
Electronic Arts
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Produtor:
Electronic Arts Casual
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Género:
Simulação
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Site:
http://littlestpetshop.ea.com


LITTLEST PET SHOP WINTER
 

O ecrã táctil da DS tornou-a numa plataforma exímia para estimular a interacção entre crianças e animais de estimação virtuais. Não há cá pêlos espalhados pela casa, cheiros nauseabundos das caixas de areia ou propensões para alergias. Depois da Nintendo, Ubisoft e Atari terem entrado no negócio, a EA abre finalmente a sua loja com Littlest Pet Shop. Substituam as vitrinas desse tradicional comércio pelas da loja de videojogos mais próxima e apreciem as novas mascotes. Elas arranham o vidro, mas será esta operação de charme suficiente para o impulso da adopção?

A verdade é que já mais de 75 milhões de mascotes da mesma família foram acolhidas por crianças de várias partes do globo desde 2004. Mascotes de brincar, não fosse a mãe desta verdadeira operação “Adopta-me” a Hasbro, empresa com um peso significativo na indústria dos brinquedos. A Electronic Arts deve apenas ter imaginado a multiplicação de Kibble que a fusão deste fenómeno com o de videojogos como os da linha Petz ou Nintendogs poderia provocar. E Kibble é a moeda do jogo, já agora. Distribuído em três versões (Garden, Winter e Jungle), cujas divergências se resumem às mascotes exclusivas a cada uma delas, Littlest Pet Shop para a DS pretende agradar a raparigas dos 6 aos 10 anos – e a EA assume-o sem quaisquer pudores – com a sua oferta variada de animais de pequeno porte (e fofos, todos têm que ser fofos) e minijogos simples e acessíveis.

A proposta até pode ser aliciante para quem colecciona os bichinhos de plástico, caso não exijam demasiado das possibilidades de um brinquedo virtual. Littlest Pet Shop expressado numa mão cheia de verbos: comprar, desbloquear, jogar, cuidar, coleccionar. Predicados que assentam bem no género onde a EA o deseja introduzir, mas que falham pela repetitividade das acções, pela ausência de estímulos (como uma linha narrativa com algum interesse e emoção) e pela falta de profundidade. Confesso, esta última parte é uma provocação, já que a maioria das compilações de minijogos do mercado carece de um nível aceitável de profundidade. No título em análise teremos incontornavelmente de jogar para amealhar moedas Kibble, para comprar novos animais, acessórios (e as criaturas podem sofrer humilhações com os chapéus e óculos mais excêntricos, tendo em conta a sua condição “animal”) e brinquedos (como escorregas e rádios para ouvir música, entre outros). Entretanto, as mascotes mais participativas, que são as que mais utilizamos (e não sofram com o último verbo, porque afinal estes animais são meros objectos e até têm um preço), acusam fadiga com alguma frequência e teremos por isso que lhes prestar cuidados básicos e que deveriam constar em todas as listas de direitos dos animais: (direito ao) mimo e (direito à) alimentação. Caso se negligencie este tipo de assistência, a nossa mascote poderá enfadar-se (na ausência de carinhos, normalmente prestados com uma escova) ou adormecer (ou será desmaiar, já que está sem comer?). Independente da sua actividade, qualquer uma necessita de alguma atenção por parte do jogador, por muito que esta se resuma às duas acções supramencionadas. Lamentamos o limitado repertório de sons, que não incluem as manifestações de fome, ansiedade, alegria e outras, tão características das espécies contempladas no jogo.

E voltamos aos minijogos, que (des)concentram a maioria do tempo do jogador. Quase todos reclamam o uso do ecrã táctil da DS, de forma simples e intuitiva, e esporadicamente recorremos aos botões e ao microfone para a execução de alguns. Lamentavelmente, a maioria das experiências são tão vazias de conteúdo que o propósito para as ultrapassar é apenas o amealhar de dinheiro e não o da diversão que poderia proporcionar. Ainda assim, após algumas horas na nossa loja de animais, desbloqueamos um interessante minijogo de ritmo (com músicas inspiradas em programas infantis emitidos aos sábados de manhã, onde aliás se inclui toda a banda sonora do jogo) e um muito bem conseguido puzzle, onde separar frutos para diferentes animais – enquanto lidamos com alguns constrangimentos – se pode revelar surpreendentemente divertido.

Como foi elaborado a pensar num público-alvo muito específico, houve o cuidado de criar três diferentes níveis de dificuldade, sendo que o primeiro é mesmo muito acessível. Os recordes e as medalhas são boas adições e ocupam um espaço importante na parca lista de estímulos para continuar a jogar. O mesmo cuidado é visível na apresentação e aspecto geral do jogo – apesar de não representar o que de melhor se pode fazer numa DS a nível visual – que exibe modelos de qualidade (sejam estes póneis, cães, gatos…) e com boas animações. Não são tão realistas como os de Nintendogs, mas o propósito era mesmo o de reproduzir o charme dos populares brinquedos do franchise.

As versões DS desta loja de animais convidam à entrada de várias pessoas, algo que não é possível nas versões Wii e PC. E passo a explicar: Winter, Garden e Jungle oferecem modos multijogador, haja no mínimo duas portáteis e um par de cartuchos de qualquer uma destas versões. Podem agendar “festas” ou aceitar o convite de amigos e/ou amigas que desejem competir em vários minijogos, seleccionados por quem organiza a sessão. Fossem todas estas funcionalidades aplicadas a um modo online e tínhamos aqui uma excelente adição. Mesmo com Friend Codes.

Littlest Pet Shop foi uma experiência estranha. Colecções de minijogos costumam animar no início e aborrecer após duas horas de exploração, mas o caso em análise despoletou-me as mesmas reacções no sentido inverso. A ausência de uma história interessante e o grupo inicial de jogos disponíveis – oleados por um sistema que apenas nos empurra para a acumulação de moedas e para a compra de animais que pouco ou nenhum impacto irão causar na jogabilidade – poderá desanimar algumas crianças, que terão que superar ainda o entrave linguístico. As mais persistentes e as que se contentam com sequências de jogos demasiado simples poderão aceder posteriormente a actividades mais divertidas, apesar do deserto que as espera. Estarão perante uma recriação competente das pequenas e adoráveis mascotes da Hasbro, mas existem propostas bem mais interactivas e completas neste cada vez mais competitivo segmento de mercado. A adoptar com prudência.

Bruno Nunes







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