O futebol é o desporto
do povo. É o desporto-rei. É um jogo fácil de entender, fácil de
praticar, difícil de dominar, que arrebata os corações de milhões. No
entanto, nem todas as épocas do ano são propícias a esta experiência: o
Inverno, devido ao clima frio e chuvoso que o caracterizam, dificulta a
realização das habituais partidas entre amigos. Durante anos, isto
constituiu um problema. Felizmente, o advento dos videojogos veio
responder aos pedidos de milhões, com o lançamento anual de simuladores
de futebol que, à semelhança do seu congénere real, são fáceis de
entender e de praticar, mas difíceis de dominar. Conseguirá este FIFA 09
para DS recriar a emoção deste apaixonante desporto, ou apenas reter a
frustração de uma derrota?
A versão DS de FIFA 09
surpreende de imediato pela sua variedade de opções. Em vez de se
remeter aos “essenciais” de uma obra desportiva, a Electronic Arts
aposta num conteúdo diversificado, pensando tanto no jogador casual como
no mais devoto. O modo “Kick Off” (“Pontapé de Saída”) permite-nos
desfrutar de uma partida rápida, sendo ideal para qualquer pequena
viagem ou período de descanso; já “Manager Mode” (“Modo Treinador”) e
“Tournament” (“Torneio”) exigem maior dedicação por parte do jogador,
obrigando-o a acompanhar e orientar uma das mais de 500 equipas
(dispostas por 30 ligas) disponíveis, durante um certo período de tempo.
Também presentes estão as habituais opções de Treino e marcação de
grandes penalidades, que contribuem para uma fácil adaptação aos
controlos de jogo. “Be a Pro” (“Jogue como Profissional”), incluído pela
primeira vez nas edições caseiras do ano anterior, estreia-se este ano
na portátil nipónica. Neste modo, controlaremos não uma equipa inteira,
mas apenas um dos seus elementos. É uma opção interessante (mas algo
subaproveitada), que contribui para uma experiência de jogo mais
desafiante e mais próxima da realidade. O multiplayer não podia deixar
de fazer parte desta aposta, com opções acessíveis através de um ou
vários cartuchos a marcarem presença, juntamente com um delicioso e
inesperado modo online, que utiliza todas as potencialidades do serviço
Wi-Fi da Nintendo.
Tal como nas congéneres
caseiras, também aqui podemos delinear tácticas personalizadas e
efectuar pequenas alterações no jogo (tais como transferências entre os
clubes), dando uso às funções My Club (“O Meu Clube”) e “My FIFA 09” (“O
Meu FIFA 09”). A navegação pelos menus é visualmente pouco apelativa
mas, à excepção do pouco acessível processo de transferências (ao qual
faz falta um simples motor de busca, que tudo facilitaria), eficiente.
Todo este conteúdo
poderia ser inútil se a componente mais importante num simulador de
futebol falhasse. Felizmente para nós, a jogabilidade raramente vacila.
Tal como seria de esperar, a movimentação dos jogadores está entregue ao
D-Pad, enquanto os gestos técnicos se encontram espalhados pelas
restantes teclas ou combinações destas. Embora não seja a disposição
mais confortável para um jogo do género (na verdade, é bem provável que
fiquem com os dedos doridos ao fim de algum tempo em consequência dos
controlos digitais), a EA apenas faz o que é possível com o hardware de
que dispõe.
Ao ecrã táctil cabem
três funções: a de esquematizar o campo na tradicional perspectiva “de
cima para baixo”; a de fornecer indicações técnicas à nossa equipa
(avançar, recuar, pressionar…), em tempo real; e, por último, a de
marcação de lances de bola parada – quer do ponto de vista do executor
dessas jogadas, como do defensor. Esta última função acaba por ser a que
melhor aproveita as potencialidades da DS, com uma série de ideias muito
bem executadas: os pénaltis, por exemplo, são activados por um simples
deslizar do estilete com ponto de partida no esférico, sendo que a
rapidez do movimento e posição final do ponteiro no ecrã determinam – de
forma realista – o desenlace do processo; nos livres directos, podemos
determinar a posição e número de jogadores da barreira. São pormenores
que distinguem esta das outras versões, e que nos prendem à pequena
consola.
No modo “Joga Como Um
Profissional”, tirando alguns atalhos que nos permitem comunicar
rapidamente com a nossa equipa, praticamente tudo se mantém intocado.
Apenas se altera a posição da câmara, numa jogada que visa o sucesso mas
acaba por falhar o alvo: a nova panorâmica cobre uma fracção ínfima do
terreno e dificulta desnecessariamente a acção, impedindo um maior grau
de diversão. O mapa do ecrã inferior e um conjunto de setas no
correspondente superior ajudam-nos a efectuar um melhor posicionamento,
mas não afastam por completo estes problemas. São aspectos a ponderar
numa segunda incursão deste modo na mais que eventual versão de 2010.
FIFA 09 também se revela
bastante competente no departamento gráfico. Durante uma partida, toda a
acção se desenrola num 3D que espanta pela sua fluidez - o jogo corre a
60 fps, framerate muito raramente abrandada - e elevada qualidade
das animações - que se mesclam umas com as outras de forma muito natural
e realista. Quando a câmara se aproxima ao campo – aquando das
repetições ou destaques do jogo – é que as coisas ficam feias…
literalmente. Os modelos dos jogadores são, no mínimo, muito bizarros,
com caras e feições reminiscentes dos (imponentes, mas assustadores)
moais da Ilha de Páscoa. Não raras vezes, verificam-se bugs gráficos
nestes instantes (redes que se afastam antes da bola atingir o fundo da
baliza, redes que se prolongam até ao infinito…). Nada que cause grande
transtorno, mas mesmo assim defeitos que podiam ter sido resolvidos com
um acrescido polimento.
Com tanto conteúdo
incluído no pequeno cartucho, seria de esperar que um aspecto não
pudesse ser tão bem cuidado; neste caso, trata-se do som, que peca não
propriamente pela pouca qualidade, mas antes pela parca quantidade: os
temas que compõem a banda-sonora são agradáveis e variados, se bem que
escassos; os comentários de voz são uma adição muito interessante, mas
repetem-se frequentemente. Os efeitos sonoros, esses, estão muito bem
enquadrados com a acção, alimentando uma óptima atmosfera.
Nada em FIFA 09 foi
deixado ao acaso. A equipa de produção estudou a lição dos anos
anteriores e, depois de uma exímia planificação, entrou em campo e deu o
seu melhor. Nem todos os remates foram certeiros, mas infelizmente não
há jogos perfeitos. No geral, esta foi uma boa exibição, que deixa uma
aliciante margem para progressão futura. E quem ganha somos nós.
Rodrigo Dias